sábado, 28 de fevereiro de 2015

O alienígena com sentido de humor

Leonard Nimoy faleceu ontem.
Exemplo dum fenómeno comum, Nimoy era um actor que ficou para sempre identificado com uma personagem que desempenhou - o Mr. Spock da série "Star Trek" ( O caminho das estrelas). Mas, ao contrário da figura que incarnou, não era um alienígena solitário sem sentido de humor. Tinha bastante sentido de humor.
E talentos variados. Na fase final da vida dedicou-se em particular à Fotografia. E não desempenhou aí a personagem "parola" da celebridade que tem mania que tem "jeito" para a fotografia.
Tinha mesmo algumas ideias respeitáveis sobre a coisa.

Leonard Nimoy,
Auto-retrato com lâmpada,
E.U.A., 2003
imagem obtida aqui
Leonard Nimoy,
Sexteto,
E.U.A., 2002
imagem obtida aqui


Leonard Nimoy,
Homenagem a Matisse,
E.U.A., 2005
imagem obtida aqui

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Uma boa história

De uma maneira geral, todos gostamos duma boa história.
O fotógrafo Jim Herrington, definitivamente, gosta de boas, de excelentes histórias. Em 2006, quando se deparou com um artigo de imprensa que informava que Cheeta, o chimpanzé dos filmes do Tarzan protagonizados por Johnny Weismuller, se encontrava ainda vivo, achou que era uma história boa demais para deixar escapar. Mas a coisa era melhor ainda.
Com 76 anos, Cheeta era o chimpanzé mais velho conhecido, com direito a entrada no Guiness book of records, tendo atingido quase o dobro da idade expectável num destes símios.  Além disso, como outras estrelas das décadas de trinta e quarenta, o velhote não era uma figura bem comportada. Tinha mau feitio, fumava charutos e gostava de bebida, cerveja sobretudo. Cheeta não era uma estrela politicamente correta, era um daqueles velhotes desbocados e malandrecos, um dos do "ratpack", um filho da Grande Depressão que gostava de fazer o que lhe dava na veneta.

O vetusto chimpanzé estava então a cargo de Dan Westfall, um sobrinho do dono e tratador original, Tony Gentry, que o orientara nos filmes do Tarzan. Contactado Dan, foi acordada uma sessão fotográfica na vivenda de Palm springs, na Califórnia, onde ambos viviam. Lá chegado, Jim Herrington foi levado até junto da piscina, e avisado qu,e caso Cheeta tivesse um súbito ataque de violência, não deveria pensar duas vezes. O melhor era que saltasse logo para a água. Apesar de idoso, era ainda um potente chimpanzé macho.

Mas nada de mau ocorreu. Cheeta portou-se como uma vedeta reformada que gosta de novas atenções. Deixou-se retratar calmamente na espreguiçadeira da piscina, numa sessão que correu bem, muito bem.

Jim Herrington,
Chimpanzé sentado junto a piscina,
Palm Springs, Califórnia, EUA, 2006
imagem obtida aqui
As imagens foram publicadas, tudo correu bem. Mas dois anos depois, Herrington veio a saber através duma investigação de R.D. Rosen, um escritor que fora contactado para escrever a "biografia oficial" de Cheeta, que afinal tudo não passava dum embuste. Na sua pesquisa para o livro, Rosen descobrira que não houvera um Cheeta, mas sim vários chimpanzés que desempenhavam esse papel, cada um treinado para um tipo de cenas por Tony Gentry. Descobrira ainda que o chimpanzé apresentado a Jim Herrington não tinha mais que quarenta anos, que não era nem nascido quando o mais recente dos filmes de Tarzan fora filmado. Por fim, Dan Westfall não era sobrinho de Gentry, mas sim um primo afastado.

Não era claro o que levara Westfall a montar esta farsa. Não tirara, aparentemente, proveito material dela. Talvez tivesse sido apenas uma pequena mentira que, por falta de coragem, ganhou proporções inesperadas,

Jim Herrington afirma-se desapontado com o que veio a saber através Rosen. Não tanto pelo tempo que perdeu, e pelo dinheiro que gastou a seguir informações erradas, mas sobretudo porque perdeu uma história fantástica.


De uma maneira geral, todos gostamos duma boa história. Muito mais do que duma verdade fraquinha.

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

A fadiga e o caos, de Eric Bouvet

Eric Bouvet,
Sem título, da série "Heroes from Maidan",
Kiev, Ucrânia, Fevereiro de 2014
imagem obtida aqui

O fotojornalista francês Eric Bouvet captou, nos embates ucranianos de há um ano, na Praça da Independência de Kiev, um conjunto impressionante de imagens que nos dá muito mais do que um simples registo dos instantes decisivos.

Leia o texto completo aqui.


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A resposta

Certas imagens têm a espantosa capacidade de conter a resposta para perguntas que ainda não fizemos...

Alexander Zemlianichenko,
As roupas espaciais do cosmonauta Anatoly Ivanishin
num estendal a secar,
Rússia, 2014
imagem obtida aqui

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

As cores de Nova Iorque [2]

Ernst Haas,
Pintor de painéis publicitários,
Nova Iorque, E.U.A., 1952
imagem obtida aqui

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domingo, 18 de janeiro de 2015

As cores de Nova Iorque

Ernst Haas, um austríaco que escapou à incorporação no exército nazi por ter origens raciais "duvidosas", notabilizou-se primeiro por fotografias pungentes do pós-guerra, com o retorno de prisioneiros de guerra para uma Áustria destroçada ( ver O retorno). Convidado a juntar-se à Agência Magnum, acabaria por se mudar para os Estados Unidos, onde obteria mais tarde a naturalização.
E é aí que, nos anos cinquenta, afastando-se duma linguagem propriamente foto-jornalística, assente na cobertura de acontecimentos, começa a trabalhar com cor, uma técnica muito negligenciada pelos profissionais, que a consideravam limitada e mais orientada para os amadores.
Juntamente com Saul Leiter, Haas ajudou a resgatar a fotografia a cores desse menosprezo, e as imagens de ambos duma Nova Iorque a cores, de instantes insignificantes, de névoas e reflexos, muitas vezes experimentais e quase abstractas, são consideradas fundadoras.

Esta imagem, com múltiplas exposições, é tardia mas é simultaneamente representativa desta faceta de Ernst Haas.

Ernst Haas,
As luzes de Nova Iorque,
E.U.A., 1970
imagem obtida aqui
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Um bom ano, então!...

Dizem aqueles que se agarram fortemente à Razão que esperar que a rotação dum ponteiro de relógio, ou até uma revolução do planeta em torno do seu sol, mude alguma coisa é um pensamento patético.
Mas os pensamentos patéticos fazem o mundo girar (a terra não, mas o mundo sim- leiam o Heidegger, que ele explica-vos isso em alemão).

Um bom ano, então!

Autor não identificado, 
Ceia de Passagem de Ano, 
Funchal, Madeira, Portugal, 1949-1950
imagem obtida aqui
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